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terça-feira, 1 de junho de 2010

Andrei Dmitrievich Sakharov (1921 - 1989)

Como referimos várias vezes esta figura histórica na aula, decidi fazer um post, falando um pouco sobre ele.

Andrei Sakharov foi um professor de física, tal como o seu pai, e também pianista russo que nasceu no dia 21 de Maio de 1921. Como refere numa sua autobiografia, ao falar sobre a sua infância e juventude vividas, Andrei salienta que a sua casa era "invadida por um tradicional espírito familiar", sendo isto "um vital entusiasmo para o trabalho e respeito pela competência profissional". Acrescenta ainda que na sua família todos se apoiavam uns aos outros e partilhavam também a paixão pela literatura e ciência. Ainda relativamente á familia, Andrei Sakharov destaca a grande admiração que tinha pela sua avó, considerando-a "o bom espírito da família" e afirmando que ela criou seis crianças e ainda aprendeu a língua inglesa por ela própria. É deste modo que podemos concluir a enorme importância que o ambiente familiar teve na vida desta personagem.

Andrei em 1943


O facto de ser muito ligado á família e de ter tido as primeiras aulas em casa tornou a adaptação aos colegas de escola um pouco difícil. Ainda assim, Andrei foi um brilhante aluno, passando em todos os exames com distinção, chegando em 1938 á Universidade de Física em Moscovo. Acabando a universidade, em 1942, Andrei trabalhou como lenhador e, uns meses mais tarde, trabalhou numa fábrica como engenheiro e inventor. Sakharov revela na sua autobiografia que, enquanto trabalhava nesta fábrica, escreveu alguns artigos científicos sobre Teoria Física que enviou para Moscovo para serem apreciados e, apesar de nunca terem sido publicados, estes mesmo artigos deram a Andrei Sakharov a confiancia "essencial para qualquer investigador".


Após a 2ª Guerra Mundial, num período da Guerra Fria, Andrei Sakharov é incluído num grupo de cientistas que têm o objectivo de desenvolver armas nucleares. Durante 20 anos, trabalhou nesta área e considerava que o seu trabalho tinha grande importância e era um instrumento "vital para o equilíbrio do poder em todo o Mundo". Contudo, Sakharov começa a aperceber-se que existiam "problemas morais" inerentes ao seu trabalho e a preocupar-se com assuntos biológicos também relacionados com o seu objectivo profissional. É então que, a partir do ano de 1968, este homem sente uma incontrolável necessidade de ver as suas opiniões soció-políticas expostas publicamente. Publica assim uma sua obra - Progresso, Coexistência Pacífica e Liberdade Intelectual - que considera ter sido um determinante ponto de viragem na sua vida e em todo o seu futuro. Contudo, na URSS, foram tecidas muitas críticas a Sakharov devido a esta sua obra, afirmando muita gente que ele estava a ser "demasiado ingénuo e especulativo". É precisamente esta obra que marca a oposição ao regime por Sakharov, ao denunciar várias atrocidades que o regime cometia.


Andrei Sakharov nos seus últimos anos de vida

Uns anos depois, a partir de 1970, "a defesa dos direitos humanos e a defesa das vítimas de processos políticos" constituiram-se como grandes objectivos fundamentais para Andrei Sakharov. Deste modo, em 1975, recebe o Prémio Nobel da Paz pela luta que travou em nome dos direitos humanos, ainda que não tenha sido autorizado a ir receber a sua distinção a Oslo e em 1980, ao denunciar a invasão Soviética do Afeganistão, Sakharov é enviado para o exílio. Mesmo encontrando-se longe dos amigos e família, este homem continua a ser perseguido pelo KGB.

Com a chegada de Mikhail Gorbatchev ao poder e com a aplicação de reformas políticas de liberalização (Perestroika e Glasnost), Sakharov consegue então, em 1986, regressar a Moscovo. Após regressar, Andrei consegue ainda um cargo político como membro no Congresso dos Deputados do Povo e, apesar de se viver um período de relativa abertura política e social, ele defende que as reformas deveriam "ir muito mais além". Acaba por morrer a 14 de Dezembro de 1989, devido a um enfarte do miocárdio.

Mikhail Gorbatchev

São inúmeras as homenagens que ainda se prestam a Andrei Sakharov. Para além de existirem algumas insituições com o seu nome que lutam pelos direitos humanos, foi instituído um prémio, também com o seu nome, pela União Europeia para destacar e homenagear aqueles que lutam pelas liberdades e direitos de todos.

Fontes:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Andrei_Sakharov
http://nobelprize.org/nobel_prizes/peace/laureates/1975/sakharov-autobio.html


Carolina

terça-feira, 16 de março de 2010

Crise dos mísseis em Cuba

O episódio conhecido como a crise dos mísseis de Cuba, ocorrido em Outubro de 1962, foi um dos momentos de maior tensão da Guerra Fria.

A crise começou quando os soviéticos, em resposta a instalação de mísseis nucleares na Turquia em 1961 e à invasão de Cuba pelos Estados Unidos no mesmo ano, instalou mísseis nucleares em Cuba. A 14 de Outubro, os Estados Unidos divulgaram fotos de um vôo secreto realizado sobre Cuba apontando cerca de quarenta silos para abrigar mísseis nucleares. Houve enorme tensão entre as duas super-potências pois uma guerra nuclear parecia mais próxima do que nunca. O governo de John F. Kennedy, apesar de suas ofensivas no ano anterior, encarou aquilo como um acto de guerra contra os Estados Unidos.

Nikita Krustchev, afirmou que os mísseis nucleares eram apenas defensivos, e que tinham sido lá instalados para dissuadir uma outra tentativa de invasão da ilha, indignando assim ainda mais os americanos.
Nenhum presidente dos Estados Unidos poderia admitir a existência de mísseis nucleares daquela dimensão a escassos 150 quilómetros do seu território nacional. O presidente Kennedy avisou Khruschev de que os EUA não teriam dúvidas em usar armas nucleares contra esta iniciativa russa. Ou desativavam os silos e retiravam os mísseis, ou a guerra seria inevitável.

Foram treze dias de suspense mundial devido ao medo de uma possível guerra nuclear, até que em 28 de Outubro Kruschev, após conseguir secretamente uma futura retirada dos mísseis norte- americanos da Turquia, concordou em remover os mísseis de Cuba.

Enquanto os EUA e a URSS negociavam, a população norte-americana tentava defender-se como podia. Nunca antes se tinha comprado tanto cimento e tijolo (para construir abrigos) na história dos EUA depois de John Kennedy ter declarado a verdadeira gravidade da situação pela televisão.

Na década de 1960, havia uma clara tendência à proliferação dos arsenais nucleares. Por esta razão, e ainda sob o impacto da crise dos mísseis de Cuba, os Estados Unidos, a União Soviética e a Grã-Bretanha assinaram, em 1963, um acordo que proibia testes nucleares na atmosfera, em alto-mar e no espaço (assim, apenas testes subterrâneos poderiam ser legalmente realizados). Em 1968, as duas super-potências e outros 58 países aprovaram o Tratado de Não-Proliferação de Armas Nucleares. O objectivo deste acordo era tentar conter a corrida ao armamento dentro de um certo limite, com ele, os países que já possuíam bombas nucleares comprometiam-se a limitar os seus arsenais e os países que não possuíam ficavam proibidos de desenvolvê-las, mas poderiam requisitar dos primeiros tecnologia nuclear para fins pacíficos.

(imagem: fotografia tirada pelo avião-espião americano a sobrevoar Cuba)

Fonte: Wikipédia

Gonçalo